Uma imagem pode transformar a nossa forma de ver
Há fotografias que nos transportam a lugares onde nunca estivemos. Outras resgatam memórias, revelam realidades desconhecidas ou transformam uma cena cotidiana em algo completamente diferente.
Às vezes, o aspecto mais fascinante de uma imagem não é aquilo que ela mostra, mas as perguntas que deixa em aberto.
Esse universo de possibilidades volta a se reunir na Pinta BAphoto, a feira especializada em fotografia que celebra sua 22.ª edição em Buenos Aires.
De 23 a 25 de outubro, o Pavilhão 8 do La Rural reunirá artistas, galerias, curadores e o público interessado em descobrir as múltiplas formas que uma imagem pode assumir. A edição de 2026 contará com 57 galerias e espaços participantes da Argentina, Uruguai, Espanha, Estados Unidos, Paraguai e Brasil.
Muito mais do que fotografias em uma parede
A fotografia contemporânea já não se limita a registrar um instante.
Ela pode ser construída a partir de arquivos, sofrer intervenções, combinar-se com outras linguagens, transformar-se em instalação ou explorar as possibilidades do movimento e de novos suportes.
Na Pinta BAphoto, essas experimentações convivem com obras modernas e com criações de artistas de diferentes gerações.
A Seção Principal, com curadoria de Irene Gelfman, reúne galerias nacionais e internacionais que apresentam distintas abordagens da linguagem fotográfica.
Mas o roteiro não termina aí. Cada seção propõe uma maneira singular de se aproximar das imagens, de seus processos e das histórias que podem narrar.
Os novos olhares têm seu próprio espaço
Um dos setores mais atraentes para descobrir novos criadores é o NEXT, dedicado a propostas emergentes e formas experimentais de trabalhar com a fotografia.
Curado por Facundo Belén e Virginia Martín, o espaço reúne projetos que investigam o presente sob distintas vivências e sensibilidades.
Por sua vez, o setor RADAR, sob a curadoria de Mercedes Claus, propõe uma reflexão sobre as relações entre imagem, identidade e espaço. As obras colocam em cheque a ideia de que a fotografia sempre representa o real de forma direta e transparente.
Ambos os espaços revelam que fotografar também pode ser uma forma de pesquisar, interpretar e construir novas narrativas.
Histórias que merecem ser revisitadas
A edição de 2026 presta uma homenagem especial à fotógrafa panamenha Sandra Eleta e apresenta projetos ligados a nomes fundamentais da fotografia argentina.
Entre eles destaca-se 2001MDQ2026, dedicado a Alberto Goldenstein, que estabelece um diálogo entre imagens de arquivo e produções recentes.
Também se apresenta Alexander – Alexander, projeto que recupera a relação entre Abel Alexander e a história familiar vinculada aos primórdios dos ateliês fotográficos em Buenos Aires.
A programação inclui ainda uma retrospectiva audiovisual de Batato Barea e outras iniciativas que entrelaçam fotografia, memória, performance e pesquisa.
São percursos que convidam a refletir sobre as imagens não apenas como criações artísticas, mas também como documentos de uma época.
Quando as fotografias se tornam livros
Outro dos espaços destacados é o ATLAS, dedicado ao universo editorial.
Com curadoria de Martín Bollati, esta seção reúne fotolivros, publicações experimentais e edições de artista que exploram novas sinergias entre fotografia, design e narrativa.
O livro deixa de ser um mero suporte para reproduzir imagens e passa a integrar a própria obra.
A curadoria permite constatar como a sequência, o papel, as dimensões e a materialidade podem transformar a forma como lemos uma fotografia.
Uma feira para apreciar sem pressa
A Pinta BAphoto oferece ainda uma programação de palestras, encontros, lançamentos editoriais e visitas guiadas.
Os roteiros acompanhados possibilitam uma aproximação das obras por meio de uma linguagem acessível, permitindo conhecer diferentes técnicas e compreender os propósitos dos artistas sem a necessidade de conhecimento prévio.
Além disso, o espaço FORO acolhe debates sobre fotografia contemporânea, o mercado de arte e o colecionismo.
A feira consolida-se como um lugar para descobrir uma obra, conhecer um artista, aproximar-se do colecionismo ou simplesmente passar uma tarde imerso em imagens.
Buenos Aires, uma cidade para continuar contemplando
Durante três dias, o La Rural torna-se ponto de encontro para a fotografia latino-americana.
Ao mesmo tempo, essa experiência dialoga com uma metrópole onde convivem museus, galerias, espaços independentes e um circuito cultural em constante movimento.
Em um tempo no qual somos expostos a centenas de imagens diariamente, a Pinta BAphoto propõe um gesto distinto: deter-se diante de algumas delas.
Observá-las de perto. Questionar como foram concebidas. Descobrir o que revelam e o que deixam de fora.
Porque por vezes não é preciso deparar-se com uma imagem inédita. Basta aprender a olhar sob outra perspectiva.
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