El Obrero

Em uma esquina de La Boca, entre fotografias, camisetas, bandeirinhas e pratos abundantes, El Obrero conserva o espírito das antigas fondas portenhas. Abriu em 1954, sobreviveu às mudanças do bairro e ainda hoje convida a sentar-se para comer sem muitas voltas.

Há restaurantes recomendados por um prato. Outros, pela decoração ou pela fama de quem passou por suas mesas. E depois estão aqueles que fazem parte da história de um bairro.

El Obrero pertence a esta última categoria. Na rua Agustín R. Caffarena 64, a poucas quadras do Riachuelo, este bodegón de La Boca conserva boa parte da atmosfera que construiu sua identidade durante mais de sete décadas. Abriu suas portas em 1954, quando o bairro tinha forte atividade fabril e portuária, e seus primeiros clientes eram justamente os trabalhadores da região.

Hoje recebe vizinhos, portenhos de outros bairros e viajantes atraídos por uma combinação difícil de replicar: cozinha caseira, porções generosas e um salão que parece ter acumulado histórias em cada uma de suas paredes.

De fonda operária a bodegón portenho


Quando Marcelino Castro e seu irmão Francisco abriram El Obrero, a proposta era simples. Havia sopas, ensopados e carnes, pratos contundentes pensados para quem precisava recuperar energias depois de uma jornada de trabalho.

O nome também não escondia mistério: El Obrero fazia referência a quem frequentava o lugar e ao perfil trabalhador daquela Boca de meados do século XX. Com o tempo, as transformações do bairro também modificaram o cardápio. As fábricas e a atividade portuária foram perdendo protagonismo e o restaurante incorporou pratos que hoje fazem parte de sua identidade, como a milanesa à napolitana, o revuelto gramajo, as massas, as lulas fritas e diferentes cortes de carne.

Assim, a antiga fonda foi se transformando em bodegón.

Um salão que conta histórias


Entrar no El Obrero é quase como abrir um álbum de lembranças portenhas.

As paredes estão cobertas de fotografias, camisetas de futebol, bandeirinhas, retratos e objetos que falam de diferentes épocas. Não há uma decoração pensada para parecer antiga: a acumulação de objetos faz parte da história real do lugar.

Também estão as anedotas. Por suas mesas passaram artistas, escritores, esportistas e figuras internacionais. A lista inclui nomes como Bono, Willem Dafoe e o príncipe Alberto de Mônaco, entre muitos outros.

Mas talvez o atrativo esteja justamente em que essas celebridades convivem, no imaginário do bodegón, com os vizinhos e habitués de sempre.</